segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Rosto


Há vezes em que é panfleto,
Isolado e prepotente,
Faminto por aplausos que, ausentes, atestam sua incongruência:
Lábios inquisidores e fronte serena

Noutras, é diploma emoldurado,
Orgulhoso e dispensável,
Obsessivo em dissolver rugas imediatas,
Mas nunca passageiras.

Quer fazer-se fotografia – documento,
Em arquivo feito junto ao vento.
Quer ser somente dentes – máquinas monotemáticas,
Mas se mescla entre silvos orquestrados e ouvidos diligentes.

Será para sempre língua, atenta como olhos perspicazes,
Amparando a pele, muito longe da boca,
Enquanto pálpebras são cortinas.

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