-Pode se apresentar?
-Eu sou Abelardo Monteiro Barbosa Neto, filho de Abelardo Monteiro Barbosa Filho e de Dona Maria Lurdes da Conceição. Nasci na Moóca no ano de 1993. Eu pinto pardes.
-Pode falar de como você começou a pintar paredes, por favor?
-Bem, ..., eu tinha uns quinze anos, isso então era dois mil e oito-nove, e meus pais resolveram fazer uma reforma na casa, nessa época a gente morava na Dias Lemes que acabava no Hospital, então agente se mudou pra casa da minha vó na Vila Maria e eu tinha que ir na obra de vez em quando pra ficar de olho nos pedreiros, ver o que eles iam precisar esse tipo de coisa e quando tava chegando no final da reforma chegou lá Zézão, apelido estranho pra Joaquim Telório da Silva, Pintor de Paredes. Ele deu uma volta pela casa vendo o que tinha que ser feito e o que ele ia precisar no dia seguinte. Volta lá no dia seguinte e com todo cuidado lixa e pinta cada uma das paredes de dentro em dois dias, no terceiro dia ele chega com uma banqueta, confere o resultado das paredes internas com sinais de aprovação, e senta nela de frente pra casa durante uma hora inteira, sem falar nada só olhando a parede de frente da casa.
"Olha moleque, essa casa vai ficar uma beleza" ele falou com sua voz grave e só então começou a lixar a parede"Sabe, faz tempo que eu não acho uma casa bonita assim pra pintar, vai buscar a escada moleque" e lixa e repete que casa vai ficar uma beleza durante três horas ai ele sobe no telhado se escora na borda e da uma cusparada rente a parede"Excelente, moleque cade a massa corrida?" fui eu buscar a massa corrida"Olha agora moleque o trabalho de um artista de verdade" e passa a massa corrida leve e forte massageando a casa até ficar branca"a tinta agora moleque" e passa a tinta com o rolo como que faz cocegas até que a "alva parede" ficasse azul inteiramente "volto amanha moleque pra passar mais duas mãos, essa casa vai ficar uma beleza".
A questão é que a catarse e concentração dele em pintar uma parede perfeita mudou minha maneira de ver o mundo, agora o branco é a nova cor, mas que isso a questão é que o branco é possibilidade de qual quer cor, é a expetativa que antecede toda obra grande ou pequena, é a possibilidade infinita da beleza e da moção e da felicidade e da dor e do desespero o branco é enorme, maio que qual quer coisa que se possa ser feita com ele, imagine se Da vinte não fez o melhor que podia porque teve que usar aquela tela para pintar a Gioconda.
sábado, 13 de outubro de 2012
Chá com bolacha
Foi estranho, eu já tinha sentido aquele gosto antes(mas onde?), ai vieram as visões e ficou mais estranho. Era minha primeira vez com o chá e diferente dos outros que estavam comigo nessa expedição o gosto do chá não me incomodava, eu já conhecia.
Depois da viajem todos acordaram com um empapado verde na boca e nos foi servido água em copos plásticos, enquanto o guia dizia que o refil de chá no cantil já estava incluso no pacote.Quando eu fui até o índio que controlava o galão com o chá ele olhou me cantil e e me perguntou se eu já havia estado lá, parece que só o chá deixa um verde tão verde durante tanto tempo.
O cantil fora dos meus pais, que nos anos oitenta foram uns dos pioneiros do eco turismo no Brasil. É costume deles falar sobre as viagens, assim como é costume deles ter uma opinião em relação a toda religião, porque em família pobre quem promete é louvado. Engraçado eles nunca terem mencionado Cariri ou Santo Daime...
Padre Alfredo mandou-lhes um abraço.
Depois da viajem todos acordaram com um empapado verde na boca e nos foi servido água em copos plásticos, enquanto o guia dizia que o refil de chá no cantil já estava incluso no pacote.Quando eu fui até o índio que controlava o galão com o chá ele olhou me cantil e e me perguntou se eu já havia estado lá, parece que só o chá deixa um verde tão verde durante tanto tempo.
O cantil fora dos meus pais, que nos anos oitenta foram uns dos pioneiros do eco turismo no Brasil. É costume deles falar sobre as viagens, assim como é costume deles ter uma opinião em relação a toda religião, porque em família pobre quem promete é louvado. Engraçado eles nunca terem mencionado Cariri ou Santo Daime...
Padre Alfredo mandou-lhes um abraço.
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