segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Corpo


O corpo que é meu
Dói sem permissão
Entre o mito e a razão
O corpo que é seu
Deus e templo num só tempo
Torno-o meu em um lamento

O corpo etéreo
Feito em carne por temor
Em sua dor não há louvor
O corpo tátil
Que presente não se sente
Descrente, sequer existente

O corpo que são muitos
Punhos tesos numa voz
Dentre todos, o pior algoz
O corpo que é só
Por rotina atrofiado
Tanta escolha, nenhum lado

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